segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Resenha do filme: “Uma lição de vida”: intersecção com o capítulo III do livro “Rumos da literatura inglesa”.

Por: Vanessa Severino Bardini. Acadêmica do curso de Letras Português/ Inglês da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP-CP)

Como período literário estudado em sala de aula, o século XVII destacou-se como uma época de grandes mudanças nas esferas sociais e culturais da Europa.   A literatura compreendendo, sobretudo as artes poéticas, embora de modo contido, salienta a contribuição de diferentes poetas, tais como John Milton, George Herbert e Andrew Marvell.                                                                                                           
     Porém, ressalta-se a arte poética de John Donne, e a sua “poesia metafísica” que volta seu escopo perante discussões, sobretudo “racionais” que abordam questões relativas a fenômenos, tais como a morte ou a existência de Deus. Assim, para constituir um paralelo entre a arte poética de John Donne e a realidade empírica, foi apresentado o filme: “Uma lição de vida” que narra à história de uma professora universitária, PHD em filosofia e em especialista em poesia da literatura inglesa do século XVII, Vivian Bearing, que descobre um câncer de ovário já em estado avançado iniciando um longo e doloroso tratamento.          
     A história se desdobra em torno dos pensamentos e memórias da personagem, estando esses permeados da poética de Donne, explorando as temáticas: vida e morte, salvação e perdição enquanto a personagem luta por sua sobrevivência, ou ainda vive um paradoxo, contrastando com as obras do poeta: expondo a sua vida em perigo na busca de uma “salvação”.                                                                       
     A personagem embora, professora e especialista nas obras do autor reproduz uma vida essencialmente oposta aos conceitos que Donne infunde em sua arte poética, pois tem uma existência “vazia”, não constitui no transcorrer de sua vida família, amizades e, sobretudo uma história, divergindo da visão empregada por muitos filósofos e também literatos de “carpem diem”. Sendo um indivíduo totalmente alheio a qualquer sentimento, ou emoção, só torna-se humanizada na medida em que há a progressão de sua doença, estabelecendo assim um elo único de amizade com Suzie, uma enfermeira.                              
      Institui da mesma forma, relação mais próxima com a poesia de John Donne visto que passa a analisar suas temáticas de uma outra perspectiva, não mais se centrando apenas na apreciação literária, mas conjeturando relação com a sua própria condição, compreendendo a morte, tema constante dos poemas que analisava, em seu aspecto real e cruel de perplexidades.                                                  
     Deste modo, ressalta-se por meio da personagem Vivian Bearing que a obra de Donne retrata “verdades humanas”, por meio de uma arte poética “grandiloquente e sagaz”, centrando-se em princípios, sobretudo racionais, que prescrevem “fielmente o jogo da vida e da morte, num mundo onde não há certezas” (p.32).

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